quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Trova

No céu azul nuvens nuas
No teu olhar céus febris
Passos maiores que as ruas
Canções que eu nunca fiz

Tu pisavas distraída
por entre os carros sem dor
andando pela avenida
como se andasse num andor

Pra onde fores eu vou
Aonde flores eu fujo
Te dou meu poema sujo
que eu não sei fazer toada
Menos que se quer é tudo
Tudo que se tem é nada

Baleiro, Zeca.

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Guardado pra você

O que há dentro do meu coração
Eu tenho guardado pra te dar
E todas as horas que o tempo
Tem pra me conceder
São tuas até morrer

E a tua história, eu não sei
Mas me diga só o que for bom
Um amor tão puro que ainda nem sabe
A força que tem
é teu e de mais ninguém

Djavan

Teatro dos Vamipros

Sempre precisei
De um pouco de atenção
Acho que não sei quem sou
Só sei do que não gosto...

E nesses dias tão estranhos
Fica a poeira
Se escondendo pelos cantos
Esse é o nosso mundo
O que é demais
Nunca é o bastante
E a primeira vez
É sempre a última chance
Ninguém vê onde chegamos
Os assassinos estão livres
Nós não estamos...

Voltamos a viver
Como há dez anos atrás
E a cada hora que passa
Envelhecemos dez semanas...

Vamos lá, tudo bem!
Eu só quero me divertir
Esquecer dessa noite
Ter um lugar legal prá ir...

Já entregamos o alvo
E a artilharia
Comparamos nossas vidas
E esperamos que um dia
Nossas vidas
Possam se encontrar...

Quando me vi
Tendo de viver
Comigo apenas
E com o mundo
Você me veio
Como um sonho bom
E me assustei
Não sou perfeito...

Eu não esqueço
A riqueza que nós temos
Ninguém consegue perceber
E de pensar nisso tudo
Eu, homem feito
Tive medo
E não consegui dormir...

trechos de "teatros dos Vampiros" - Legião Urbana/Renato Russo

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Eu sou uma queda livre

De onde nasci, passava um rio, davam-se as mãos, e a vida passava, quieta.

Mas peguei a trilha errada, cheguei a cidade, e acabou-se o verde e a terra.

Construi prédios para lembrar a infância e todos os sonhos que almejava.

E lá, sob o concreto cinza, mas perto do céu, é que pude sentir a brisa aterrorizante

da queda.


terça-feira, 12 de janeiro de 2010

bussola

Leva-se muito tempo para enteder o quanto a vida é breve. E em muito pouco se entede que o tempo passou. A exatidão de cada por do sol se limita à compreensão de que somos apenas ar. E na solidão desse universo tão cheio dá-se um suspiro infinito. Sonhos como metas reais. Desejos de mentira e superficiais. Pra onde iremos daqui? pra nenhum lugar. É dentro de cada um que se faz o mundo. Não importa mais a direção. A bussola é o coração.