quarta-feira, 26 de dezembro de 2007

Ininterrupto ciclo

Esquecera a sensibilidade, a nitidez das cores quentes, o acaso belo solto da cidade. Confiara toda vontade de seus gestos na busca por algo verdadeiro. Se perdia entre sonho e realidade. Enfrentou os erros, relatou suas dores, ficou enfermo, reconstruiu suas vontades; curou-se. Se fez órbita incessante do dia após dia. Procurava ter ar suficiente para encher dois pulmões. Aprendia a viver com o desconforto de uma solidão. E derrepente, sozinho, no meio do caminho um olhar prendera sua atenção. Saia ele um sorriso lindo, que de tão belo parecia confusão. O chão se abriu de felicidade, recitando poesia e esboçando um novo coração. A alegria bateu a porta, ele atendeu e convidou pra entrar. Mostrou o quarto, a sala, a cozinha, ofereceu a ela um novo lar. Desmontou-se sobre sua pele linda, e percebeu-se exalando bem estar. Erguera agora uma nova vida; vida esta em qual sempre quis estar.

quinta-feira, 20 de dezembro de 2007

Ânimo

Conhecer o novo e reavaliar a alma. Entender que pouco é o pouco tempo que passa aqui. E tudo que sabemos será sempre quase nada. Vou esperar contente você me dizer que sim. Abandonar o medo e me revelar. Me desdobrar em três só pra te ver sorrir. Vou te levar pra casa, te levar pra ver o mar. E nossa alegria não será de ficção. Terás a noite e o dia pra estar no coração, de quem agora a vida enxerga como um sonho bom.

quinta-feira, 6 de dezembro de 2007

Desajeitado

Tenho a cidade toda no meu texto, melhor cidade não há pra escrever. Os postes acedendo meus desejos são como fósforos na explosão de sua chama. Na rua a brisa me faz querer morar cada vez mais íntimo, e a grama verde se faz carpete do concreto sujo. O horizonte aqui parece cada vez mais perto, tão certo de que não há mais o que alcançar. Ninguém espera, não frente a uma vastidão tão linda. Ninguém consegue ficar parado. Ao mesmo tempo o céu que brilha obriga o corpo estar paralisado. E toma posse dos olhos dos sérios, dos loucos, tão certos e desestruturados. Constrói alergia com paisagens simples, tão dificil no mundo dos desajeitados.



Curva aqui é apenas retorno. Na cidade reta, o reto é o coerente, simétrico e sitemático, e nós vamos em frente pra viver em paz.

segunda-feira, 3 de dezembro de 2007

Qualidade de vida relativa

O que é qualidade de vida pra você?! É preservar-se ao máximo?! É chegar intacto aos noventa anos?! Tenho pensado um bocado sobre isso, e percebo que qualidade de vida é algo que depende muito da perspectiva de cada um. Por exemplo, estou no eterno dilema de ser fumante ou não ser. A depender da perspectiva de qualidade de vida, o ideal é que eu não fume para que minha saúde não seja debilitada. Porém, ainda não tenho certeza de que, para mim, qualidade de vida seja isso. Explico. Pode ser que para mim qualidade de vida seja mesmo viver a vida de forma intensa, aceitando minhas vontades, realizando meus desejos, como o de fumar. Não sei se, para mim, qualidade de vida seja chegar aos noventa anos intacto. Não sei se é qualidade de vida estar sóbrio e lúcido o suficiente para esperar a morte chegar, ficar na boa saúde regando minhas plantas, comendo minhas frutas, e sei lá, perceber que não fiz muita coisa do que gostaria de fazer. E será mesmo que isso é felicidade?! Sinto falta de usar o tempo pro novo, conhecer coisas novas. O que me der vontade. A qualidade de vida é algo muito relativo. Logicamente que, se eu assumo certa posição, tenho que assumir também suas conseqüências. Por exemplo, seu eu voltar a fumar, como até quero, terei de assumir minha sinusite. Ela é chata e talz, mas acho que vale pelos dias de chuva, frio, cerveja, sexo, depois do rango, rock em que eu acender um cigarro. Se eu assumir a outra perspectiva, não beberei, não fumarei, comerei saladas, frutas e viverei relativamente “bem”. O “bem” também é muito relativo, acho que o mais certo aí é o “viverei de forma saudável”. Cabe pensar se estar saudável é estar bem. Da mesma forma como nos cabe refletir se é possível viver de forma intensa hoje em dia sem maltratar a si mesmo. Afinal, esse mundo é cruel, neoliberal e só quer ver o oco mesmo. O sol faz mal, o ar que respiramos é poluído, os mares e os rios também. A camada de ozônio tá indo nessa, a violência aumenta, der repente você não fuma, mas morre do nada por causa de um bandido que quer tomar cachaça. Até o mais saudável é indiretamente afetado. O quanto isso pode ser relevante a nos fazer mudar certos hábitos?! E o corpo humano?! Quando envelhecemos tudo se desgasta, o tecido cerebral, os órgãos, tudo é, de uma forma natural, uma degradação. Um fim contado em anos. Bom, isso tudo pode ser só meu vício falando mais alto. Pode ser minha vontade fumar arranjando uma desculpa esfarrapada. Eu não quero induzir ninguém a virar um doidão, até porque acho que é tudo uma questão de equilíbrio. Cada um sendo o melhor pra si naquele instante. Agindo da sua forma. Hoje eu to sóbrio, chato e escrevendo demais. Mas a real é que eu não ligo pra nada disso. Acho que a cada momento da vida nossa forma de pensar muda. No momento, ano meio confuso em relação ao que seja qualidade de vida. Viver de forma intensa ou se preservar?! Preserva-se é viver intensamente?! Dá pra viver de forma intensa e se preservar?! Alguém me dá um cigarro preu pensar melhor?!